Janeiro de 1975, a revista norte-americana POPULAR
ELETRONICS trazia na capa deste mês o ALTAIR
8800, um computador que qualquer diletante em eletrônica poderia montar a
partir de um 'kit', contanto que dispusesse de ... solda. Vendido a 397 dólares
por uma obscura firma da cidade de Albuquerque, Novo México, que atendia pelo nome de MITS,
o ALTAIR pouco tinha a ver com os computadores pessoais de hoje. Não
tinha teclado nem monitor. Muito menos dispunha de software. Era programado através de
chaves no painel frontal.
ED Roberts, fundador da MITS,
começou com vendas por correspondência de pisca-piscas para 'kits' de aeromodelismo.
Depois o primeiro sucesso da empresa no entanto, foram os 'kits'de calculadoras
eletrônicas, no início da década de 70. Mas Roberts logo se viu tendo
que enfrentar uma guerra de preços brutal com grandes companhias como a TEXAS
Instruments e HP (Hewlwtt Packard).
Em 1974 a MITS afundava em dívidas, perdia
funcionários rapidamente e parecia que a falência era apenas uma questão de tempo. Roberts
fez uma nova tentativa para salvar a empresa.
Em janeiro de 1975, o ALTAIR, lançado, é, um sucesso
imediato. Bastou o anúncio da POPULARS ELETRONICS para que milhares de
pessoas enviassem cheques a MITS encomendando seus 'kits'. Apesar de suas
limitações, o ALTAIR exitou a imaginação dos amantes em eletrônica
por toda a parte.
Por que ? (eu tambem cai nessa)
Ed Roberts bolou um belo golpe de marketing para o ALTAIR.
O truque foi transformar as óbivias limitações em aparentes vantagens (parece que eu vi
isso recentemente com algum software). Roberts incluiu 16 slots livres no
equipamento, possibilitando ao usuário ampliar as capacidades do ALTAIR
com placas sobressalentes. Os amantes de eletrônica foram imediatamente atraídos pela
máquina, não tanto pelo que ela podia realizar (o que não era muita coisa) mas pelo que
poderia realizar se devidamente ampliada. O barato do ALTAIR era o seu
potencial.
Mas a montagem do computador não era tarefa para qualquer um. O ALTAIR
foi um grande avanço tecnológico, mas era necessário saber alguma (muita) coisa de
eletrônica para montá-lo e ter a solda sempre quente.
Movido pela necessidade e pelo entusiasmo comum, os amantes do 'hobby'
procuravam uns aos outros e formaram grupos como o Homebrew Computer Club, o
Silicon Valley (Paul Allen e Bill Gates era
associados e desenvolveram um BASIC para o ALTAIR), para trocar
informações e se ajudarem mutuamente.
Desses grupos surgiram pequenas empresas, algumas com nomes do tipo: Intergalactic
Digital Research (porteriormente Digital Research), Kentucky Fried
Computers (mais tarde incorporada a North Star) e Itty Bitty
Machine Company, num trocadilho com as iniciais da poderosa IBM
(Internatinal Business Machine). Em pouco tempo essas empresas já vendiam um
considerável número de placas sobressalentes, software e periféricos.
O que começou com uma tímida empresa de calculadoras que tentava se livrar de uma
dívida de 300.000 dólares, evoluiu para um grande movimento com mais complexidade do que
se poderia imaginar. O apogeu da MITS durou apenas dois anos, mas no
final desse breve período, toda uma indústria surgira em volta do ALTAIR
e dos computadores que com ele concorriam.
Um dos primeiros concorretes da MITS e por algum tempo o mais bem
sucedido deles foi a IMSAI, de San Leandro,
California. A IMSAI copiou o ALTAIR,
ampliou a oferta de recursos e descobriu melhores técnicas de marketing.